Carlos José Arruda
Professor








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Porto e Douro Porto e Douro - Porto DOC
Localização

Porto é denominação da região do Porto e Douro.

Vinhos da Denominação do Porto DOC

Sob a DOC Porto produz-se o mais famoso vinho fortificado do mundo. Embora o nome desse vinho sugira uma ligação com a cidade do Porto, os vinhedos e os centros de vinificação onde é produzido situam-se ao longo do vale do rio Douro, distantes cerca de 100 km da cidade do Porto.

Nem mesmo os armazéns de amadurecimento e engarrafamento do vinho situam-se naquela cidade, e sim em Vila Nova de Gaia, situada na margem oposta defronte ao Porto. No entanto, desde a antiguidade, a cidade constitui o principal porto exportador do país e dali o vinho saiu para ganhar fama no mundo, levando com ele o nome da cidade.

Principais Variedades de Uvas Tintas

Aragonez (Tinta Roriz), Bastardo, Cornifesto, Donzelinho, Malvasia, Marufo (Mourisco Tinto), Periquita (Castelão Francês), RufeteTrincadeira, Preta (Tinta Amarela), Tinta Barroca, Touriga -Francesa,Tinto-Cão,Touriga Francesa e Touriga Nacional.

Principais Variedades de Uvas Brancas

Donzelinho, Esgana-Cão, Folgazão, Gouveio ou Verdelho, Malvasia Fina, Rabigato e Viosinho.

Classificação do Vinho do Porto

O Vinho do Porto é uma bebida sofisticada e para aprecia-lo devidamente é necessário conhecer a intrincada classificação que contempla diferentes tipos, estilos e preços, dentre os quais o consumidor certamente escolherá o seu favorito. A seguir, apresentamos os diferentes tipos existentes.

Portos sem indicação de safra

White: Branco, meio seco, pálido, feito de uvas brancas, envelhecido até 3 anos.

Dry (ou Very Dry) White: Branco, seco (ou muito seco), mais envelhecido que o anterior.

Esses dois tipos fogem do padrão clássico do Porto de sabor doce e foram criados mais para competir com os vinhos fortificados secos de aperitivo, como por exemplo o Madeira e o Jerez. Exceção feita aos brancos velhos, vinhos de prestígio, produzidos em quantidades ínfimas, os Portos brancos são jovens e não constituem certamente o que há de melhor, sendo mais consumidos por jovens e não conhecedores.

Ruby: O nome refere-se à cor da pedra preciosa rubi, advindo de sua coloração vermelho-púrpura. Jovem, frutado, obtido pelo corte de vinhos de diferentes safras, envelhecido até 3 anos em cascos (tonéis) de carvalho. É um vinho pronto para ser consumido e não deve ser guardado.

Crusted: Rubies com amadurecimento mínimo de 2 anos em cascos e 3 anos em garrafa, não filtrados e que deixam borra (em inglês, crust).

Vintage Character (Premium Ruby): Ruby superior, envelhecido de 4 a 6 anos em garrafa. Alguns produtores utilizam outros nomes para esse tipo tais como Bin, First State, Six Grapes, Founder’s Reserve. Constitui uma categoria superior de Ruby e o nome Vintage confunde o consumidor, pois deveria ser reservado para os verdadeiros vinhos dessa categoria, descrita mais adiante.

Tawny (Aloirado): Amarelo-tijolo, mais encorpado, também resultante do corte de vinhos de diferentes safras, amadurecido nos cascos, por 3 anos em média. Também é um vinho pronto para ser consumido. Ele e o Ruby são os portos comuns e mais vendidos no mundo. Existe, também, o Tawny Reserva envelhecido de 4 a 8 anos, vinho mais diferenciado.

Tawny Years-Old (Old Tawny): Tawnies bastante diferenciados e de alta categoria, feitos a partir de cortes de lotes de diferentes safras, geralmente muito antigas. A idade declarada (10, 20, 30 e 40 anos) refere-se à média de idade dos vinhos utilizados no corte. Tem o ano do engarrafamento no rótulo. É um vinho pronto para ser consumido

Portos com indicação de safra

Garrafeira: Este tipo é produzido atualmente por apenas uma empresa, a Niepoort. É um Tawny proveniente de uma só safra, pronto para beber, que permanece 7 anos em garrafões de vidro de 10 litros antes de ser comercializado. Por não se submeter à grande oxidação que ocorre nos outros tipos amadurecidos em tonéis, tem uma cor mais vermelha e mais frescor, e aromas mais frutados, conhecidos como ‘aroma de garrafa’.

Colheita: Tawny proveniente de uma só colheita (safra) e envelhecido em cascos por no mínimo 7 anos. Tem a data da safra e do engarrafamento no rótulo e não melhora com a guarda. São vinhos em geral diferenciados, em alguns casos de excelente qualidade.

Late- Bottled Vintage (LBV): É um vinho de uma só safra (declarada no rótulo), envelhecido de 4 a 6 anos, que apesar de excelente qualidade, não atingiu a exuberância organoléptica para receber a designação Vintage (ver abaixo). É um vinho de cor e aromas intensos, pois é amadurecido em balseiros, grandes tonéis de milhares de litros, e não sofre a intensa oxidação dos vinhos armazenados em cascos de carvalho, responsável pela perda da cor. Há o LBV dito tradicional que não é filtrado (tem borra no fundo da garrafa), sendo um Porto bastante diferenciado, e de ótima relação custo-benefício se comparado com os Vintage.

Vintage: É o grande Vinho do Porto, de uma única safra de um bom ano (em geral, tres a quatro vezes por década) constante no rótulo, (ex. Vintage 1994, Vintage 1997, etc.) envelhecido de 2 a 3 anos em balseiros e não é filtrado (tem borra no fundo da garrafa). É um dos vinhos mais enaltecidos no mundo e necessita no mínimo cerca de vinte anos de guarda para atingir a sua plenitude. Alguns Vintages chegam a sobreviver mais de um século, mantendo a sua realeza !

Declaração de Vintage

As empresas que num determinado ano julgam ter obtido um vinho de qualidade suficiente para receber o rótulo de Vintage, enviam amostras do vinho, ainda no balseiro, para análise do Instituto do Vinho do Porto (IVP), órgão responsável pela regulamentação dos vinhos dessa DOC. Lá, as amostras são analisadas quimicamente em laboratórios equipados com modernos recursos tecnológicos, e, a seguir, uma experiente equipe de degustadores (a Câmara de Provadores) realiza a análise organoléptica e decide se o vinho em questão receberá ou não a declaração de Vintage.

Uma safra só é autorizada a declarar-se Vintage se pelo menos 80% do volume de produção optar pela declaração. Essa regra esbarra na existência de alguns grupos produtores de muito grande porte que acabam por definir o destino de uma safra, pois seu peso pode validar ou não uma declaração.

No caso do vinho não ser declarado Vintage pelo IVP, resta ao produtor deixar o vinho amadurecer mais tempo (4 a 6 anos) e o comercializar como LBV, ou utiliza-lo em lotes que entrarão no corte de Ruby, Tawny etc.

No caso do vinho ter sido declarado Vintage pelo IVP, mas a empresa não considera-lo no nível de excelência por ela exigido, ela o engarrafará como um Vintage de segunda linha. Para diferenciar este vinho, muitas empresas o rotulam de duas formas: como Single Quinta, caso seja feito com uvas de uma único vinhedo ou Quinta (propriedade), ou usando um outro nome. Por exemplo, a Graham, denomina seu melhor Vintage Graham-Vintage-19.., e o segundo Malvedos-19...; a Nieeport denomina seu Vintage segunda linha como Quinta do Passadouro-Vintage-19..., e a Fonseca declara Fonseca-Vintage-19.. nos anos exepcionais e Vintage-Fonseca Guimaraens 19... nos demais anos. O problema é que o nome Quinta pode constar no rótulo de Vintages de primeira linha de alguns produtores, como por exemplo o Quinta do Vesúvio (da empresa de mesmo nome) e o Quinta das Carvalhas (da Real Companhia Velha).

Os Vintage de segunda linha têm ótima relação custo-benefício, considerando tratar-se de um Vintage, ainda que não seja de excepcional qualidade.

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