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Elqui: A fronteira do deserto
18-janeiro-10  MundoVino

Uma nova região começa a mostrar resultados animadores. No mundo do vinho, as novidades podem surpreender.

CARLOS ARRUDA

Arquiteto, web designer, enófilo, professor, consultor e autor de artigos sobre vinhos, criador e diretor do site Academia do Vinho.

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Nos últimos 20 anos, o mundo do vinho passou por transformações importantes que afetaram o mercado internacional como um todo e principalmente o perfil de consumo de vinhos.

Novidades como a redescoberta da Carmenère, a abertura de novas regiões produtoras em climas inexplorados, como a Patagônia e o Vale do São Francisco trouxeram vinhos produzidos em climas até então inusitados.

No Chile, nomes como San Antonio e Leyda se juntaram a Casablanca para consolidar o especial microclima frio da região costeira. Paragens frias como Bío-Bío e Neuquén mostram novo caminho nas regiões continentais dos dois lados dos Andes.

Estive com o enólogo Giorgio Flessati, que com seu irmão Aldo Olivier criaram em 1998 a Viña Falernia, em pleno Vale do Elqui, a região mais ao norte de todas no Chile.

Situada 500 km ao norte de Santiago, Elqui é a fronteira do deserto de Atacama, em uma zona localizada na área conhecida como “Chico Norte”, que abriga o maior centro de observação astronômica internacional graças à limpidez de sua atmosfera.

Essa característica proporciona excelente qualidade também na luz que banha os vinhedos, com grande extensão nas horas totais de insolação e no índice de fotossíntese, garantindo perfeita maturação das uvas.

Estas terras, que inspiraram os versos de Gabriela Mistral, são largamente dedicadas a produção de uvas tradicionalmente utilizadas na elaboração do pisco (Moscatel e Pedro Ximenes).

O rio Elqui se desenvolve em um trajeto íngreme desde os terraços baixos da zona costeira até as encostas dos Andes, passando por uma diversidade de microlimas em diferentes altitudes. A combinação de solo, clima e um bom suprimento de água da Bacia do Elqui e do Reservatório Pulclaro fortaleceram o desenvolvimento da vinicultura nesta área.

A Viña Falernia possui vinhedos a 350m (Fundo Titón, a 18 km do Pacífico, com clima fresco), a 510m (Represa Puclaro, com clima mais seco e menos frio que Titón), a 600m (Fundo Pedregal, no antigo leito do rio Elqui, com solos aluviais pobres e pedregosos) e entre 1700 e 2000m, em Huanta (Guanta, em inca) um dos vinhedos mais altos do mundo, com grandes variações de temperatura entre dia e noite.

Giorgio e Pedro vêm experimentando combinações de variedades e microclimas em seus vinhos e os resultados são bastante promissores. Uma das características nítidas de Elqui é a mineralidade do solo, que se manifesta de forma elegante nos vinhos.

Os Carmenère da Falernia são frutados, carnudos e saborosos, sem lembranças do traço vegetal característico dessa uva quando a maturação das cascas é incompleta. Os Syrah são frutados, complexos, frescos, saborosos e muito elegantes. O Sauvignon Blanc é aromático e mineral, com grande potencial gastronômico.

Os vinhos da Falernia já colecionam premiações e prometem grande progresso. O jornalista especializado Tim Atkin (Master of Wine) escreveu no jornal The Observer: “O Chile construiu seu nome com a Cabernet Sauvignon e cortes bordaleses, mas estou convencido que será também famoso por seus Syrah, Pinot Noir, Riesling, Chardonnay e Sauvignon Blanc de clima frio...Nos próximos 10 anos vinhos de classe mundial emergirão dessas regiões. Se eu tivesse capital disponível, eu investiria em um vinhedo em Elqui amanhã”.

Nós enófilos só temos a ganhar com todas essas novidades. Olhos atentos às boas surpresas!

Os vinhos Falernia são importados pela Premium Wines

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