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Relatos do Vamos à Montanha 2010 - Parte 1
13-setembro-10  Evento

O confrade Azeredo nos brinda mais uma vez com seus poéticos e saborosos relatos sobre o encontro Vamos à Montanha do Fórum Enológico.

JOSé LUIS AZEREDO

Azeredo é médico, enófilo e um grande estudioso de vinhos.

Profundo conhecedor da vinicultura e dos vinhos de Portugal, é um dos esteios do conhecimento no Forum Enológico da Academia do Vinho, e um dos mais antigos participantes.


Vamos à Montanha

No ultimo fim de semana realizou-se o VAM 10 em Campos do Jordão.

+/- 200 enofilos de varias partes do Brasil, encontraram-se no Hotel Orotour para confraternizar e trocar conhecimento sobre o vinho.

Como sempre acontece neste evento, reencontro velhos amigos, conheço novos e, passado pouco tempo, todos pertencem à mesma sociedade e familia, a dos enófilos.

Tudo começou na quinta feira 19, com um PREVAM 10.

Ás 16 horas, em volta de uma mesa, reuniram-se 17 enófilos para degustar alguns vinhos portugueses velhos. O espumante Valduga 130 fez a boca.

Depois foram provados;

1-Esporão Reserva 1996- Alentejo

2-Quinta da Pellada Tinta Roriz/Touriga Nacional 1996- Dão

3-Vinha Pan 1996- Bairrada

4-Vinha do Fojo 1996- Douro

5-Quinta de Pancas SS Touriga Nacional 1998- Estremadura

6-FSF- Fernando Soares Franco Garrafeira 1998- Terras do Sado

7-Mouchão 1998- Alentejo

8-Casa de Saima Garrafeira 1997- Bairrada

9-Passadouro 1995- Douro

10-Porto Vintage 1997 500 anos

Na minha avaliação a maioria muito bons, 3 excelentes - Casa de Saima, Mouchão, Porto 500 anos e um em curva descendente Passadouro 95.

Duas surpresas, Esporão Reserva 96, que mostrou uma durabilidade não esperada, e o FSF 98 no auge de sua existencia, com uma composição não tradicional nas Terras do Sado, Tannat, Syrah, Trincadeira , este que foi a primeira safra em homenagem ao pai dos atuais donos da Jose Maria da Fonseca.

O Porto Vintage 1997 Brasil 500 anos, com a sua rocambolesca historia até chegar ás minhas mãos, mais a exclusividade que é por ser um vinho unico na forma como foi feito e para a finalidade que teve, estava em perfeitas condições para os seus 13 anos, com uma elegancia e complexidade que só se conseque no Vinho do Porto em ano Vintage.

Jantar com os alemães

A conversa ainda se estendeu por bom tempo na sala do PREVAM, o Luiz Otavio fez a enquete dos melhores vinhos, na primeira bateria ganhou o Vinha do Fojo 96, na segunda bateria o Mouchão 98.

Fiquei contente, aqui lembrei pela primeira vez do saudoso amigo Edilson Kruger. Este Mouchão era da adega dele. Brindamos aos ausentes. (O confrade EdilsonKruger, idealizador desse encontro, faleceu em acidente de avião em 2005, com sua noiva Lú) (n.r.)

Fui feliz para o quarto, é bom dividir bons vinhos velhos com amigos que são como eles, melhoram cada vez mais com o tempo.

O jantar prometia muito, Eisbein com Rieslings alemães. Sentamos à mesa com amigos que degustam vinho juntos, faz tempo.

O sommelier Guilherme Correa apresentou com maestria 9 Rieslings;

1- Müller Kabinett Forster Mariengarten 2008

2- Fassian Kabinett Trittenheimer 2007

3- Dönnhoff Kabinett Oberhäuser Leistenberg 2007

4- Künstler Kabinett Trocken Hochheimer Höle 2007

5- Müller Spätlese Trocken Forster Kirschenstück 2006

6- Fassian Spätlese Piesporter Goldtröpfchen 2007

7- Dönnhoff Spätlese Oberhäuser Brücke 2008

8- Künstler Spätlese Hochheimer Kirchenstück 2007

9- Fassian Riesling Auslese Tritenheimer Apotheke 2007

Uns bons, outros muito bons, um excelente, mas os Rieslings Alemães, com diferentes graus de doçura, alcool e acidez, após algum tempo se tornam cansativos. Talvez fosse muito vinho, ou a exposição-degustação tivesse sido demasiado longa.

Salvamo-nos todos quando chegou o eisebein, perfeito de gosto e textura, passou por cima de alguns dos vinhos, mas harmonizou bem com outros. Não me perguntem quais, não anotei nada, se alguém da nossa mesa puder me salvar, ajude. :D

Chegava ao fim o primeiro dia de VAM. Tudo estava calmo, corria tranquilo, abençoado. Mesmo o frio parecia se desfazer com o calor humano. O quarto aquecido, o corpo quente, a alma em paz, o sono foi facil e reconfortante.

Campos do Jordão e Confronto de Mundos

Era uma manhã de sexta feira fria, de ar seco. No café, muitos confrades bem agasalhados já faziam planos. Bom dia, bom dia, o que vai ser hoje, o que vamos provar, a que horas.... se ouvia por todo o lado.

Numa curva do corredor encontrei o Erich, aquele abraço de quem vem de longe.

Das mãos dele recebo dois presentes; um livro "O melhor do Alentejo” e um vinho branco italiano Venica 2008. Melhor presente não se pode ter, bons vinhos para a adega, bons livros para a estante.

Nós, com a manhã livre, fomos para a cidade. Campos do Jordão é bonita, o comercio é bom e variado, bastantes opções. No quesito chocolates, pareceu mais restrito, menos diversidade, tudo muito igual, os mesmos estilos e sabores a preços varios, na media caros.

Os chocolates precisariam ser mais proprios, ter mais "terroir”, personalidade. Encontrei varios casais fazendo compras. Eles, com ar amarrado, mão no bolso segurando o CC. Elas, felizes, saltitantes, cheias de sacolas e bolsas.

É bonito o amor na serra, vale tudo. ;-)

Voltamos para o Orotour na hora do almoço. A cozinha do hotel é muito boa, é pura, caseira, de produtos muito frescos, bem feita. Os brocolis estavam divinos, macios, saborosos com um traço de manteiga, o salmão grelhado ao ponto, a torta de limão deliciosa.

Depois fui para a prova comandada pelo amigo Humberto Carcamo, Velho Mundo X Novo Mundo no portfolio da Reloco. O Humberto apresentava a ficha tecnica do vinho e nós iamos provando e comparando.

A lista oficial era esta:

1- Milmanda 2007 - A rainha branca- apresentação

1º Bateria- O touro e a terra.

2- Eral Bravo YBS 2006- Argentina

3- Salmos 2006- Espanha

2º Bateria- A sutil refrescância

4- Inevitavel 2005- Portugal

5- Lagarde Henry 1 Gran Guarda 2006- Argentina

3º Bateria- A rainha negra dos dois mundos

6- Cask 2005- EUA

7- Manso de Velasco 2006- Chile

8- Mas La Plana 2005- Espanha

4º Bateria- O blend segundo Miguel Torres

9- Conde de Superunda 2003- Chile

10- Gran Murales 2002- Espanha

Mas por alterações de ultima hora, entraram outros. Perdi a minha folha de anotações, sem ela fica impossivel lembrar de tudo, mas recordo de um Zinfandel muito agradavel. Os outros deixo para o Humberto e os confrades, comentarem. De interessante e marcante ficou o Milmanda.

Duas garrafas, uma o exuberante, excelente e sempre campeão chardonnay, que o Rei Juan Carlos gosta. A outra, da mesma safra, oxidada, irreconhecivel, na cor e no paladar.

Coisas do vinho, nunca uma garrafa é igual à outra. Muita discussão, nenhuma conclusão, a mais provavel condições adversas de acondicionamento ou transporte.

A minha conclusão, é que o Humberto nos deu um Milmanda da Catalunha e outro do Paraguai, para aprendermos a diferença. :D

Vinhos muito bons, representativos dos seus países, das castas e das propostas a que se destinam. O melhor, nós enofilos brasileiros não conseguimos passar sem eleger o melhor. Para mim, Mas La Plana 2005 na cabeça. Um vinho superlativo em tudo.

Belissima degustação, educativa. O caminho estava bem aberto para o TSV que se avizinhava.

O sol já se escondia quando fui para o quarto. Li o Melhor do Alentejo, para ficar seguro para o dia seguinte. Obrigado Erich.

Era hora da onça beber água, o TSV ia começar.

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