Academia do Vinho

Academia do Vinho - 20 anos - O mais importante site sobre vinhos no Brasil

O vinho foi dado ao homem para acalmar suas fadigas - EURÍPIDES

Voltar

Entendendo o vinho... sem reservas!
22-agosto-08  Dicas

Os termos Reserva e Reservado podem confundir os iniciantes

CARLOS ARRUDA

Arquiteto, web designer, enófilo, professor, consultor e autor de artigos sobre vinhos, criador e diretor do site Academia do Vinho.

Facebook

Artigo publicado no jornal Vinho & Cia 32 - agosto / 2008

Já devo ter respondido a algumas centenas de e-mails perguntando qual a diferença entre Reserva, Reservado, quais os critérios para essas referências no rótulo dos vinhos, e o que significam.

Essa questão é importante, principalmente para os iniciantes no conhecimento do vinho. Como a resposta completa ocuparia todo um livro, vamos abordar os pontos básicos.

Na Europa os principais países produtores - França, Itália, Espanha e Portugal - desenvolveram um complexo conjunto de regras (leis) que controlam os vinhos, criando uma classificação com hierarquias, obrigações e normas técnicas para sua produção. O objetivo é garantir a qualidade e a personalidade dos vinhos das diversas regiões e aumentar sua visibilidade de mercado.

Classificação dos Vinhos

Assim, podemos dizer que - guardadas as diferenças - os vinhos são classificados como:

• Vinho de Mesa - São simples, produzidos em todo o país, praticamente sem regras para sua produção. São os vinhos básicos do país, geralmente respondem por de 70% ou mais da produção.

• Indicação Geográfica - Vinhos produzidos em uma região específica, com um conjunto de uvas e técnicas aprovado para sua elaboração. São vinhos diferenciados, que refletem características de sua região de origem, geralmente usando uvas típicas. Podem oferecer boa plataforma de custo-benefício.

• Denominação de Origem - São produzidos em sub-regiões ou parcelas menores, guardando profunda relação com as características do terroir (veja a coluna do Ivan na edição anterior), devendo atender a regras rígidas de elaboração quanto à proveniência e manipulação das uvas, fermentação e envelhecimento, usar somente uvas autorizadas, não exceder um volume de produção por hectare, e por aí vai. Não é fácil classificar um vinho nessa categoria.

• Denominações especiais - Podem existir classificações ainda mais rígidas e restritivas, criando personalidades únicas em vinhos de alta qualidade. Um patamar ainda mais difícil de atingir.

Denominações de origem

Conforme o país, as denominações mudam, vamos a elas, na seqüência hierárquica:

França - Vin de Table / Vin de Pays / AOC (Apelação de Origem Controlada) / 1er Cru (ou 2,3,4,5)

Ainda existem complementos de classificação, como Villages, Grand Cru, ...

Itália - Vino da Tavola / IGT / DOC (Denominação de Origem Controlada) / DOCG (... e Garantida)

Existem complementos como Classico, Superiore, Riserva, ...

Espanha - Vino de Mesa (antigo Vino de la Tierra) / Indicação Geográfica / DO (Denominação de Origem) / DOCa (... Calificada) / Vinos de Pagos (produzidos em locais e condições muito especiais). Os vinhos de Jerez podem ser Fino / Manzanilla / Oloroso / Palo Cortado.

Portugal - Vinho de Mesa / Vinho Regional / DOC (Denominação de Origem Controlada)

No caso dos Porto, diversas classificações adicionais como Ruby, Tawny, Colheita, LBV, Vintage...

Essa informação é básica e não cobre o assunto. Tudo isso é legislado, controlado e respeitado (ou quase...). A qualidade que se pretende garantir com esse sistema nem sempre é verdade, caso das denominações populares como Chianti, Valpolicella (IT), Côtes du Rhône, Bordeaux, Espumantes (FR) e tantos outros rótulos importados bonitos, baratos e decepcionantes. Nesse caso a culpa não é do sistema (ou seria ?) mas existem produtores e produtores...

Outros países produtores já desenvolveram ou estão desenvolvendo uma regulamentação básica: O Chile tem 14 DO, a Argentina e Uruguai não têm nenhum sistema oficial, a África do Sul tem dois organismos (governo e consórcio) com critérios não unânimes, e por aí vai. O consumidor de produtos globais fica perdido, com razão.

Brasil

Nossa legislação atual, modificada em 12/11/04 após anos de tramitação, classifica os vinhos em:

de mesa / leve (?) / fino / espumante / frisante / gaseificado / licoroso / composto.

Essa classificação (mais uma tipologia) está longe de categorizar os vinhos, e não regula patamares de qualidade, cabendo a cada produtor estabelecer seus critérios. No Site do Vinho Brasileiro pode ser consultada a legislação em vigor .

Reserva e Reservado

No Brasil, Chile, Argentina os termos utilizados, Reserva, Reservado, Gran Reserva, Reserva Especial, são apenas parte dos nomes, e não devem ser usados como referência para medir a qualidade. Por exemplo, o vinho Reservado Concha y Toro (CH) é o segundo degrau na linha da vinícola, com mais 4 níveis acima dele...

Por isso, a resposta à pergunta inicial deve levar em conta a origem do vinho, a existência de uma classificação oficial e em última instância, avaliar o produtor e sua linha de vinhos.

© 1997-2017 Academia do Vinho - Aprecie o vinho com moderação
Nenhuma reprodução, publicação ou impressão de textos ou imagens deste site está autorizada