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A Guerra dos Pontos
28-novembro-13  Dicas

O mercado mundial de vinhos adotou as pontuações, ou notas, dos vinhos como referência para a promoção comercial dos rótulos. mais pontos, mais qualidade.
Será assim tão simples? Quem dita a qualidade dos vinhos?

CARLOS ARRUDA

Arquiteto, web designer, enófilo, professor, consultor e autor de artigos sobre vinhos, criador e diretor do site Academia do Vinho.

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O sistema de pontuação de vinhos, isto é, atribuir uma nota a um vinho para representar sua qualidade, já existe há algum tempo, mas recentemente esse critério atingiu a grande maioria dos consumidore, criando uma situação ao mesmo tempo vantajosa e perigosa. Explico.

Tudo começou com o advogado americano Robert Parker, que, após se encantar com os vinhos franceses, enveredou pelo assunto e não saiu mais. Reputado entre os amigos por seu conhecimento, todos solicitavam suas dicas de bons vinhos, a ponto de ele fazer uma lista que distribuía a todos. A coisa evoluiu, Parker começou a dar notas aos vinhos que degustava e a publicá-las, mantendo-se isento do circuito comercial, e o mercado absorveu isso em grande velocidade.

Hoje Robert Parker é uma celebridade mundial e suas notas podem enriquecer ou destruir uma vinícola, pois o mundo fica atento às notas com a sigla RP. Que bom, não é? Basta olhar a nota e você tem a medida da qualidade do vinho, certo? Sim e Não.

A partir da virada do século, muito se falou da “parkerização” dos vinhos, as vinícolas produzindo vinhos encorpados, com presença importante de barricas francesas, para agradar ao rei. Parker nega tudo isso, declara não estar preso a um estilo, mas a profusão de vinhos “top” com esse exato estilo só faz crescer...

Nem só de Parker vive o mundo, temos outros, aqui os mais prestigiados:

WS – Revista Wine Spectator, USA

WE – Revista Wine Enthusiast, USA

DEC – Revista Decanter, Inglaterra

JR – Jancis Robinson, Avaliadora independente, Inglaterra

GR – Guia Gambero Rosso, Itália

RV – Revista de Vinhos, França

GH – Guia Hachette, França

JP – João Paulo Martins, Avaliador independente, Portugal

Ok, é bom ter uma referência quando se é leigo, facilita nossa escolha ou pelo menos serve de balizamento para avaliarmos se um vinho vale o que custa. Mas será que vou gostar muito de um vinho de nota 95, ou 100? Lembre-se que acima de 92-93 pontos os preços podem explodir...

Falei em perigo, explico também: Em toda avaliação de vinhos sempre existirá um componente pessoal, de preferência, e isso poderia afetar um julgamento puramente técnico. Os profissionais desenvolvem conhecimento e isenção para evitar isso, mas há um limite humano. É a minha opinião, ok? Prefiro uma avaliação de um grupo, de onde se tira uma média, é mais consensual.

Sem acusar ninguém - mas já houve vazamentos sobre isso - um crítico influente pode ser seduzido para opinar positivamente sobre um vinho, o que afetaria a avaliação pura e simples, concordam?

Com a modernidade das redes sociais, as opiniões privadas para um grupo de amigos vêm se tornando importantes, sendo totalmente válidas para um grupo, com as ressalvas comerciais...

Surgiram também várias empresas na Internet, com sites de avaliação onde as opiniões são contabilizadas e formam um nota global, o que descarta uma opinião pessoal, claro.

Porém... problemas existem: O aplicativo ViVino permite tirar uma foto do rótulo e ter acesso imediato a informações sobre o vinho, com notas médias calculadas a partir da opinião... de todo mundo que quiser opinar! Exemplo: o vinho de mesa Canção tem nota 4 (o máximo é 5) Já encontrei grandes Bordeaux com nota 1,5... Nada contra o Canção nem contra opiniões, só quero alertar para não valorizarmos tanto as notas! Elas são uma referência, não uma verdade absoluta.

Deixo aqui um frase interessante de Mark Twain, famoso escritor americano:

“There are no standards of taste in wine... Each man`s own taste is the standard, and a majority vote cannot decide for him or in any slightest degree affect the supremacy of his own standard.” ~ Mark Twain

“Não há padrões na degustação do vinho... O paladar de cada pessoa é o padrão, e um voto de maioria não pode decidir por ele, ou pelo mais leve grau afetar a supremacia de seu próprio critério”.

Leiam as notas, comparem os preços, mas provem os vinhos e descubram sua preferência.

Um ótimo Natal a todos, com vinho, amizade e alegria.

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