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Escolhendo Vinhos
26-setembro-14  Dicas

Vinho é um prazer pessoal. Dicas para escolher o vinho que lhe agrada mais

CARLOS ARRUDA

Arquiteto, web designer, enófilo, professor, consultor e autor de artigos sobre vinhos, criador e diretor do site Academia do Vinho.

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Inúmeras vezes me fazem a pergunta: Indique-me um bom vinho? Quero explicar porque essa pergunta não pode ser respondida. É sério!

QUALIDADE

Naturalmente ligamos a qualidade de um vinho ao seu preço: quanto mais caro, melhor. É uma boa verdade, se um vinho não vale o que custa, não vai vender, não é?

Porém, a maioria das pessoas também relaciona a qualidade de um vinho com o prazer gustativo que ele oferece, então um vinho caro será delicioso! Nem sempre isso acontece, então surge o comentário: aquele vinho foi caro, mas não é bom...

Posso explicar essa decepção: Vinhos variam seu estilo gustativo, não só a qualidade. Quem foi ruim foi o estilo, não a qualidade. Quando provamos um vinho, temos vários fatores que determinam seu sabor:

UVA

As uvas utilizadas - Malbec, Cabernet, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Carmenère, Sangiovese, Chenin Blanc – podem estar sozinhas ou misturadas com outras (os vinhos de corte). Cada uva tem seu estilo típico, variando entre frutado, picante, tânico, fresco, aromático, de cor intensa, delicado, floral, e por aí vai...

ELABORAÇÃO

O processo de elaboração afeta muito o estilo, o “jeitão” de um vinho: os vinhos jovens são feitos para preservar o estilo fresco das uvas usadas, os vinhos maturados em barrica são mais redondos, com sabores de madeira, baunilha, tostados. As técnicas de fermentação podem fazer vinhos mais leves ou mais encorpados, mais macios ou mais rústicos, mais longevos ou imediatos. É a mão do enólogo, ou o estilo da vinícola.

REGIÃO

O local onde estão plantadas as uvas também influi no estilo do vinho. O clima mais ou menos frio, o regime de chuvas, a altitude, a diferença de temperatura entre o dia e a noite, a altitude, a influência de rios ou do mar. A acidez, o teor alcoólico e a cor do vinho são os principais atributos afetados pelo clima.

SOLO

A videira (parreira) pode viver 100 anos e suas raízes crescem continuamente, até 30 metros de profundidade! Com isso, o tipo de solo afeta muito o vinho produzido, pois vários elementos químicos do terreno são absorvidos, gerando vinhos minerais, tânicos, pesados, leves, ou elegantes, por exemplo.

MILHARES DE COMBINAÇÕES

Se combinarmos juntos todos esses fatores, teremos milhares de variações possíveis, e os enólogos continuam inventando... A disponibilidade de estilos é quase infinita!

Você leitor, deve estar se perguntando: e o que eu tenho com isso? Vinho é muito complicado, eu só quero beber!

Concordo, então me ajude: você prefere vinhos brancos ou tintos? Rosés? Alcoólicos ou leves? Encorpados ou delicados? Com madeira ou sem madeira? Macios ou rústicos? Complicados ou fáceis de beber? Jovens ou envelhecidos? Responda-me e lhe indicarei um ótimo candidato a lhe agradar.

São tantos vinhos diferentes... Concordo que deve ser mesmo difícil para um iniciante no vinho olhar a prateleira e se sentir perdido, sem critérios para escolher.

As mulheres preferem rótulos bonitos, mas será que é um bom critério quanto ao sabor do vinho? Acabo de provar um vinho excelente, com um rótulo feio, de muito mau gosto...

Outro critério é repetir aquele vinho bom do outro dia. É uma segurança, mas você não estará tornando sua vida muito chata e talvez deixando de provar um vinho sensacional?

Existem notas, pontuações mundiais, que atestam (?) a qualidade de um vinho, mas não seu estilo. Pode ser que aquele Brunello de 95 pontos não lhe encante, então não finja que gostou, seja autêntico! Paladar é pessoal, vinho é para dar prazer!

RECOMENDAÇÕES

1 – Aproveite as sugestões dos sommeliers. Conte para eles os vinhos que lhe agradaram, eles lhe indicarão outros no mesmo estilo;

2 – Experimente, corra riscos. Anote os vinhos que bebeu (tire foto) e os porquês de gostar ou não, com suas palavras (azedo, áspero, enjoativo, ralo, esquisito). Tudo isso ajuda a escolher o próximo.

3 – Informe-se. Anote de que país / região / uva é o vinho que você gostou ou não, isso ajudará muito em seu caminho de descoberta.

4 – Depois que descobrir um vinho ótimo, não pare, o céu é o limite.

Não se esqueça: o melhor vinho para alguém pode não parecer bom para você. Encontre o seu!

Referências
Fonte: Artigo publicado pelo mesmo autor na Revista Verdemar em dezembro de 2013

 

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