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Alemanha
Introdução Mais

Alemanha, o país vinícola mais ao norte dentro da Europa, é um exemplo de tenacidade e determinação de seus vinicultores através da história.

Com um clima bem mais difícil para a vinicultura que todo o centro-sul da Europa, os vinhos alemães sempre foram produzidos em quantidade, marcando uma tradição de vinhos brancos naturais para consumo próprio.

A especialização em uvas brancas - uma imposição do clima - marca um estilo de vinhos que não mudou muito ao longo do tempo, pois aqui é muito difícil de inventar e inovar radicalmente.

Por outro lado, o cultivo da uva Riesling ao longo do tempo levou a um aprimoramento dessa variedade, que produz vinhos longevos e complexos de grande prestígio.

Exatamente por essas limitações, o país é um grande importador de vinhos europeus, suprindo sua necessidade de tintos e brancos mais intensos na França, Itália e demais produtores.


Regiões

Alemanha possui 13 regiões vinícolas:

> Ahr
> Baden
> Franken
> Hessische Bergstrasse
> Mittelrhein
> Mosel-Saar-Ruwer
> Nahe

> Pfalz
> Rheingau
> Rheinhessen
> Saale-Unstrut
> Sachsen
> Württenberg

Mapa vinícola da Alemanha ( imagem Wines of Germany )

Mapa vinícola da Alemanha ( imagem Wines of Germany )

Vinhos da Alemanha

A Alemanha é o país com vinhedos localizados mais ao norte dentre o grupo da Europa Central, possuindo um clima frio que marca sua produção de vinhos com características próprias.

Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido á melhor adaptação das uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas amplamente cultivadas em toda Europa,

No clima alemão só se consegue produzir uvas tintas de maturação precoce, como a Pinot Noir (localmente chamada Spätburgunder) e algumas outras autóctones como a Dornfelder e a Portugieser.

Desde 2005 os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que havia sido praticamente abandonada por várias décadas.

Principais Variedades de Uvas Tintas

Spätburgunder/Pinot Noir (11,4%)
Dornfelder (8,1%)
Portugieser (4,7%)
Outras: Trollinger, Schwarzriesling/Pinot Meunier, Regent, Lemberger

Principais Variedades de Uvas Brancas

Riesling (20,4%)
Müller-Thurgau/Rivaner (14,1%)
Silvaner (5,3%)
Kerner (4,2%)
Grauburgunder/Pinot Gris (4,1%)
Weissburgunder/Pinot Blanc (3,3%)
Outras: Gewürztraminer, Scheurebe, Morio-Muskat, Gutedel

Geografia e Clima

A Alemanha está entre os países vitivinícolas mais ao norte do mundo, tendo apenas a influência moderada de correntes marítmas no clima da Europa Ocidental para permitir que as uvas amadureçam neste extremo norte.

Mesmo assim, o clima e as condições do tempo nas regiões vitícolas da Alemanha representam desafios para a viticultura que são desconhecidos nas ensolaradas região do Mediterrâneo.

As condições mais favoréveis de produção de vinho se localizam nas encostas orientadas para sul e sudoeste, principalmente ao longo dos vales dos rios Rhein, Elbe, Saale e Unstrut.

A insolação é mais intensa nas encostas que em áreas planas, que se beneficiam também de periodos mais longos de luz.

Durante a maturação das uvas, há muito menos sol na Alemanha do que nas regiões vitivinícolas mais a sul. As temperaturas mensais médias são menores e o tempo total de insolação é menor.

Diferente das regiões vinícolas do sul da Europa, aqui a qualidade de cada safra é muito dependente do regime do clima de cada ano. Com isso, apenas as variedades de uvas adaptadas a essas condições são utilizadas, marcando de forma única o estilo dos seus vinhos.

Área de Vinhedos na Alemanha: 98.877 Hectares (2003) - 102.977 (2000)

A Alemanha possui 61,9% dos vinhedos da uva Riesling do mundo

Volume de produção anual: de 9,16 milhões de hectolitros = 1.217 milhões de garrafas

63,2% em vinhos brancos e 36,8% vinhos tintos

Exportação: Itália, França, Estados Unidos, Austrália, Chile, Portugal = 2,64 milhões de hl.

Importação: 13,12 milhões de hl - Itália França e Espanha correspondem a 73% do total de importação.

Classificação dos Vinhos Alemães

Ao longo do tempo, várias regiões de produção se tornaram tão conhecidas que seus nomes funcionam como denominações, mas essa é apenas uma referência de origem, pois não existe uma classificação oficial de vinhedos ou apelações como em outros países europeus.

O país tem tradição secular de produzir quase unicamente vinhos brancos, devido ao clima, e também quase todos com um estilo mais adocicado, como explicado adiante.

Basicamente nos rótulos, além das letras góticas e dos nomes impronunciáveis, aparecem as menções:

Trocken - Seco - com nível de açúcar até 9 g/l

Halbtrocken - Meio-seco - com nível de açúcar entre 9 e 18 g/l

Apesar dessas definições, a percepção de doçura dos vinhos alemães depende muito do nível de acidez presente, o que pode variar com a região e com a safra.

Níveis de Qualidade

Os vinhos alemães são então classificados pela qualidade de sua produção nos tipos:

TAFELWEIN - 3,6% - Vinho de Mesa

QUALITÄTSWEIN - 49,6% - Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete (QbA) - Vinho de qualidade (fino)

PRÄDIKATSWEIN - 46,8% - Qualitätswein mit Prädikat (QmP) - Vinho com predicado (DOC)

Os vinhos com predicado são diferenciados pelo nível de maturação das uvas utilizadas, que varia por uva e por região, obviamente como resultado do difícil clima do país.

Kabinett

O nível de menor madurez do grupo, tipicamente são os vinhos mais leves da produção. Com menor teor alcoólico e levemente adocicados, são vinhos informais para aperitivo e piscina. Normalmente são consumidos jovens, mas podem evoluir até 10 anos.

Spätlese

Traduzindo, Colheita Tardia, são vinhos de uvas colhidas mais tarde que as dos Kabinnet ou QbA. Se vinificados em seco - um estilo que vem ganhando força - eles ainda podem parecer jovens demais.

O estilo tradicional de elaboração mantém parte do açúcar residual, são vinhos muito gastronômicos, que vão bem com a culinária asiática, frios leves e aves. Devem ser consumidos antes de 15 anos de idade.

Auslese

Elaborados a partir de uvas deixadas amadurecer no vinhedo até obter altos níveis de açúcar, geralmente têm ocorrência parcial de Botrytis. Normalmente são adocicados, podendo atuar como vinhos leves de sobremesa, mas ao envelhecer o açúcar se atenua, criando vinhos potentes para acompanhar assados de porco e aves.

Podem evoluir até 30 anos, ganhando grande complexidade aromática, mas nem todos atingem esse limite, sendo melhor usufruir do seu estilo frutado rico e adocicado entre 10 e 20 anos.

Beerenauslese

O termo significa uvas selecionadas, colhidas grão por grão para ter apenas as uvas com Botrytis. Aqui já temos vinhos francamente de sobremesa, mas com um nível elegante de açúcar e bom equilíbrio de acidez. Podem evoluir até 50 anos.

Trockenbeerenauslese

O longo nome nos diz `seleção de uvas passificadas´, um critério superior ao anterior, colhendo-se apenas as uvas murchas, afetadas profundamente pelo Botrytis. Esses são os mais intensos, doces e complexos vinhos produzidos, que mostram alta densidade e viscosidade.

O estilo muito concentrado pode ficar exagerado e enjoativo para alguns consumidores, pela acidez menor que dos Beerenauslese, mas a complexidade de aromas e sabores é especial. Sua evolução, como todos os vinhos desse estilo, pode atingir até um século.

Eiswein

São vinhos especiais, produzidos com uvas que se congelaram, concentrando o açúcar em nível similar aos beerenauslese, mas que guardam níveis muito superiores de acidez, criando um estilo muito especial, com evolução de décadas.

História

Ao longo do desenvolvimento do Império Romano, o território germânico também teve a vinicultura - herança dos gregos e etruscos - introduzida durante a ocupação romana.

No século 8, o rei Carlos Magno regulamentou a viticultura e a vinicultura, bem como o comércio relacionado ao vinho.

Documentos mostram que as vinhas existiram em quase toda a Alemanha durante a Idade Média. Os mosteiros, como em outras regiões da Europa, se mantiveram como centros de pesquisa e da cultura do vinho, que era uma bebida popular.

No entanto, devido a mudanças climáticas, a dificuldade de produção de vinho em climas temperados desanimou os produtores, que preferiram aprimorar a fabricação de cerveja, graças à produção nativa de cereais.

O consumo de vinho passou a se firmar baseado nas importações de vinho, e a área de vinhedos passou a diminuir continuamente após 1500.

Muitas vinhas ainda foram plantadas com diversas variedades de uvas, até o século XIX, quando a praga da filoxera devastou os vinhedos e muitas variedades de uvas indígenas desapareceram.

A viticultura alemã reviveu na virada do século 20 com a introdução de videiras enxertadas - uma prática que se tornou obrigatória.

A criação e a seleção da uvas levaram às variedades padrão de uva hoje predominantes na viticultura alemã moderna, focada em uvas brancas nativas do centro da Europa e em algumas variedades tintas adaptadas ao clima mais frio.

Hoje a Alemanha tem um estilo próprio de vinhos, vários deles doces ou semidoces, todos bastante representativos de seu território.

Dados de Produção da Alemanha
Área de Vinhedos: 98.877 hectares
Produção de Vinhos: 9.160.000 garrafas
Mais informações no site:

Internet www.germanwines.de
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