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Itália
Introdução Mais

A Itália é uma península encravada no centro do Mar Mediterrâneo, um posição especial que lhe confere um clima privilegiado para a produção de vinho, status evidente desde a antiguidade.

Porém, longe de ser um país de clima perfeito, na verdade ali se encontram diversas situações bastante diferentes entre si, a ponto de podermos dizer que existem várias Itálias, do ponto de vista da vinicultura.

Para melhor compreensão, dividimos a Itália em blocos, segundo sua situação geo-climática.


Mapa vinícola da Itália

Mapa vinícola da Itália

Vinhos da Itália

Os gregos chamavam a Itália de Enotria - Terra do Vinho (veja na História), pois seu território desde o início se mostrou muito amigável para a vinicultura, com resultados que só melhoraram ao longo dos séculos.

A Itália produz um impressionante conjunto de vinhos e com sua vizinha França vem se alternando ao longo dos anos na posição de maior produtor e consumidor mundial de vinhos.

Ainda que a quantidade de grandes vinhos da Itália seja menor que o da França, a personalidade marcante de muitos de seus rótulos cria um estilo inconfundível, com qualidade muito alta.

Por outro lado, a diversidade presente no vinho italiano é talvez a maior fonte de prazer ali disponível. É um mundo de vinhos alegres, diferentes, de muita personalidade e admirável bairrismo.

Nas regiões e sub-regiões italianas disponíveis para navegação a partir daqui você encontrará informações sobre elas, suas denominações e particularidades.

Geografia e Clima

Para entender a diversidade de regiões da Itália, as grupamos segundo sua localização geográfica, o que responde por uma certa homogeneidade de caracteristicas comuns, resultado da latitude (norte frio e sul quente), altitude (que reforça as tendencias da latitude) e a influência do mar (regiões costeiras ou continentais).

Em cada uma das macro-regiões assim definidas encontraremos diversas regiões, que por suas vez abrigam dezenas de DOCs (Denominações de Origem).

Assim sendo, a divisão macro-regional aqui apresentada não é oficial, mas apenas um grupamento que acreditamos permitir entender melhor as características geo-climáticas que afetam diversas regiões - estas sim, oficiais - ali situadas.

Classificação dos Vinhos Italianos

Exatamente pela variedade de microclimas, a Itália tem uma grande diversidade em seus vinhos, existindo diversas classificações acessórias que permitem diferenciar produtos dentro de uma mesma denominação.

Vino da Tavola

São vinhos de qualidade inferior, de qualquer procedência geográfica e não podem ter no rótulo o nome da uva, nem a safra, nem a região. Constituem cerca de 80% dos vinhos da Itália. Existem alguns poucos Vinos da Tavola de ótimo nível, por não se enquadrarem nas normas das DOC e DOCG.

Indicazione Geografica Tipica (IGT)

Essa Classificação foi instituida a partir de 1992 e é aplicada aos vinhos de mesa elaborados em regiões geográficas específicas (uma província, uma comuna ou parte delas, tais como, uma colina, um vale, etc.).

No rótulo podem constar o nome da uva, a safra, a região e o tipo de vinho (frizzante, amabile, novello, etc.)

Vini Tipici

Equivale ao Vin de Pays da França, mas apesar de criada em 1989, continua sem uma normatização precisa. Pretende-se aplicar essa designação a vinhos de mesa diferenciados, com tipologia definida.

Atualmente, esses vinhos são incluídos na contagem dos Vini di Tavola, mas espera-se que venham a constituir uma parte importante dos vinhos italianos.

Denominazione di Origine Controlata (DOC)

Classificação criada em 1963, é atribuída aos vinhos provenientes de mais de 300 regiões vinícolas delimitadas que podem ser uma pequena área, uma província ou uma área geográfica ainda maior.

Sua quantificação é complicada, pois algumas regiões, como Valle d´Aosta e Chianti, possuem diversos vinhos de distritos diferentes, mas são contadas como uma única DOC.

Apenas cerca de 15% dos vinhos italianos pertencem às DOCs e são elaborados com tipos específicos de uvas para cada região e por métodos específicos de vinificação.

Centenas de vinhos possuem a designação DOC e, junto com os DOCG, representam apenas cerca de 20% dos vinhos italianos.

Em algumas DOC existem sub-classificações, tais como: Riserva ou Vecchio, para vinhos envelhecidos maior tempo em madeira; Superiore, para vinhos maior teor alcoólico ou maior período de envelhecimento.

Denominazione di Origine Controlata e Garantita (DOCG)

Classificação criada em 1982, abrange os melhores vinhos da Itália.

Desde sua criação, essa classificação vem aumentando o numero de Denominações nela inseridas, pois novas integrantes vêm atingindo as regras de inserção para reclassificação a cada ano.

Os Fora-da-Lei

Alguns vinhos italianos, considerados entre os melhores do país e do mundo, classificam-se apenas como Vino da Tavola ou IGT, por não se enquadrarem nas normas das DOC e DOCG (tipos de uva, métodos de vinificação, etc.) e, por isso, são apelidados de `os fora da lei´. Na Toscana são chamados de Super-Toscanos.

Categorias Especiais

Essas categorias não tem relação com qualidade, mas apenas com uma característica específica que diferencia determinados vinhos de outros.

Novello (Jovem) - Vinho semelhante ao Beaujolais Nouveau, vinificado em pelo menos 30% através de maceração carbônica e com no mínimo 11º GL de teor alcoólico e não mais que 10 g de açúcar residual. Só pode ser vendido após 06 de novembro e deve ser engarrafado em 31 de dezembro do ano da colheita.

Vecchio (Velho) - Vinho que envelhece o mínimo três anos antes da comercialização.

Classico - Uma denominação que diferencia algumas DOC em níveis de qualidade, por exemplo Chianti e Chianti Classico.

Superiore - Vinho com regras mais detalhadas, por exemplo, que envelhece no mínimo um ano antes da comercialização.

Riserva (Reserva) - Vinho que envelhece no mínimo três a cinco anos antes da comercialização, regras variam para cada DOC

Spumante (Espumante) - Vinho espumante, como o Champagne, elaborado pelo método Charmat ou por método Champenoise.

Frizzante (Frizante) - Tipicamente italiano, é um vinho ligeiramente espumante, como o vinho verde português.

Secco, Abbocado , Amabile e Dolce - Definem o teor de açúcar do vinho que pode ser: seco, práticamente sem açúcar (secco); meio seco ou demi-sec, com teores médios de açúcar (abbocado e amabile); francamente doce (dolce).

Liquoroso (Licoroso) - Vinho fortificado ou naturalmente forte.

Passito (Passificado) - Vinho elaborado de uvas semi-desidratas (passas), que preserva parte do açúcar

Ripasso (Repassado) - Vinho (Valpolicella) que após elaborado é deixado repousar nas borras de fermentação do Amarone, ganhando corpo, sabor e teor alcóolico.

História

A introdução do vinho na Itália se deve a dois povos – Fenícios e Gregos – que ali criaram um importante produto comercial. Os Fenícios inicialmente comerciavam com vinhos da Sardegna e Sicília, mas os Gregos foram responsáveis pela introdução de novas variedades e pela experimentação.

Os Gregos

Alguns historiadores situam o início da vinicultura na Itália por volta de 1000 aC, época das primeiras viagens dos Gregos. Outros indicam a ilah de Ischia como sede dos primeiros vinhedos Gregos.

Os Gregos portanto foram fundamentais na história do vinho italiano, principalmente no sul, pois ainda hoje vemos diversas uvas em uso que pertencem ao período da colonização helênica por volta do século 7.

Nessa época os Etruscos eram consumidores de vinho, que seguiu se desenvolvendo para o norte, habitado pelos Celtas. Daí em diante a península Italiana passou a ser chamada de Enotria

Operando provavelmente em portos da Calábria, depois Campania e Sicilia, os gregos não só desenvolveram a vinicultura, mas também a difundiram, cabendo aos Romanos levar o vinho a toda a Europa e tornando-o um dos principais produtos do povo europeu.

Os Romanos

Os Romanos diluíam os vinhos da antiguidade com água, porque se presume que eram muito alcoólicos devido às colheitas tardias ou à rudeza dos processos, então existia a figura do Magister Bibendi ou Rex Convivil, que estabelecia a proporção ideal de água (algo como 65%)

Foram criadas as Tabernaeonde se estocavam os vinhos em ânforas, com mesas e cadeiras para os clientes. Aristocráticas ou populares, ali se bebia vinho, que podia também se misturar com mel e especiarias, principalmente nos vinhos de baixa qualidade.

O melhor vinho vinha do sul, o Falerno, além de vinhos do Etna e Castelli Romani.

Foi encontrado um pergaminho em que se dizia: `O Falerno, depois de quatro anos, se torna um vinho maravilhoso´. Essa frase denota vários aspectos que mostram a influência do território na qualidade dos vinhos:

- Fala-se de um vinho específico – Falerno - que marcou sua época.

- Depois de quatro anos - indica que, mesmo às condições da época, a evolução do vinho era perceptível e admirada.

- Se torna um vinho maravilhoso - não deixa dúvidas que o diferencial de qualidade era realmente importante.

Idade Média

Após a queda do Império Romano, com a invasão dos bárbaros a vinicultura passou por um forte declínio, tornando-se quase exclusiva dos monastérios religiosos, que conservaram a sabedoria antiga e a melhoraram, até que no Renascimento a explosão do comércio marítmo e a abertura de novas rotas o vinho estava pronto para retomar sua posição.

Os novos senhores do mar e do comércio, os Ingleses, eram os maiores compradores, que preferiam vinhos de regiões mais próximas, fora da rota do Mediterrâneo. A Itália passou a exportar o Marsala para os ingleses e o vinho de Calábria para os franceses, mas a mior parte da produção italiana era consumida localmente.

A consolidação

Da segunda metade do século 18 em diante o vinho italiano foi ganhando importância, seguindo-se o início das Denominações de Origem, até tornar-se um dos mais importantes países vinícolas do mundo, equiparando-se à França, a grande protagonista dos últimos séculos.

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