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França - Bordeaux
Localização

Bordeaux é região da França.

Notícias de Bordeaux

26-maio-18
Geadas tardias podem comprometer a safra 2018 em Bordeaux
Uma forte geada atingiu parte da região de Bordeaux no início de junho, afetando Péssac-Léognan, Blaye, Bourg e Cognac.

Introdução Mais

Bordeaux é, sem dúvida, a região vinícola mais prestigiosa da França e ao mesmo tempo a que abriga o maior número de vinhos de alta qualidade. Situa-se na região sudoeste da França, na costa do Atlântico, junto à foz do rio Gironde e se estende para o interior no grande entorno da cidade de Bordeaux, que dá o nome à região como um todo.

As 57 sub-regiões AOC de Bordeaux distribuem-se em torno do Y formado pelo rio Gironde e seus afluentes, o rio Dordogne, ao norte, e o rio Garonne, ao sul.

Nenhuma região vinícola do mundo produz tantos vinhos de altíssima qualidade como Bordeaux. A maioria deles são tintos, mas sub-regiões como Sauternes e Barsac produzem alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.

Os grandes vinhos de Bordeaux já tinham conquistado a Europa há séculos, mas nas últimas décadas aconteceu um grande avanço de consumo e prestígio nos Estados Unidos e na Ásia.


Mapa vinícola de Bordeaux

Mapa vinícola de Bordeaux

Vinhos da Região de Bordeaux

A região de Bordeaux possui uma classificação hierárquica de grande importância para o conhecimento de seus vinhos.

Essa classificação é fundamentada na qualidade dos diferentes terroirs da região, identificados há séculos e demarcados oficialmente há bastante tempo.

AOC Regional

AOC usada em vinhos mais simples, provenientes de diversos pontos da região (Bordeaux, Bordeaux Supérieur, Premières Côtes de Bordeaux) ou de uma sub-região (Médoc, Graves, Entre-Deux-Mers, etc) alguns feitos com uvas ou métodos vinificação específicos (Bordeaux Clairet, Bordeaux Blanc Sec, Crémant de Bordeaux, etc.).

Os vinhos desta categoria são denominados genéricos e podem ser produzidos por diferentes produtores em áreas delimitadas, mas de grande extensão.

Aqui se encontram vinhos medianos, mas também alguns achados de bom custo-benefício, geralmente produzidos por vinicultores comunais usando os volumes excedentes de suas uvas principais.

AOC Comunal

AOC atribuída a vinhos provenientes de comunas (distritos ou municípios), tais como Pauillac, Margaux e Péssac, situadas dentro das sub-regiões (Médoc, Graves, etc.). essas AOC podem abrigar vinhos de muito boa qualidade, com preços interessantes ou proibitivos.

Crus Classés

Dentro das AOC comunais distinguem-se os vinhos de qualidade excepcional, reconhecida oficialmente, que são classificados como Crus de diferentes níveis (de 1 a 5). O Cru sempre recebe a AOC Comunal da sub-região na qual se localiza e é elaborado por um único produtor cuja propriedade denomina-se, geralmente, Château.

Por exemplo, na AOC Pauillac existem dezenas de Châteaux, mas os vinhos do Château Latour, do Château Mouton-Rotschild e do Château Lafite-Rotschild são considerados os três melhores Crus, pois são produzidos nos melhores terroirs de Pauillac.

Na maioria das AOCs Comunais existem classificações que distinguem os Crus Classés em diferentes níveis de qualidade.

Principais Variedades de Uvas Tintas

As variedades tintas mais plantadas são:
Merlot (60%) - uva de maturação precoce e alto teor de açúcar, tem taninos versáteis e aromas de frutas vermelhas
Cabernet Sauvignon (26%) - uva de maturação lenta e colheita tardia, tem taninos importantes, boa acidez e aromas de frutas negras principalmente cassis
Cabernet Franc (12%) - marcada por taninos finos e boa acidez
O percentual dessas uvas varia nas diferentes sub-regiões:
No Médoc e em Graves a mais utilizada é a Cabernet Sauvignon (55 a 70%), vindo, a seguir, a Merlot (15 a 30%) e as demais (0 a 15%).
Em Saint-Emilion predomina a Cabernet Franc (55 a 65%), complementada pela Merlot (25 a 50%) e pela Cabernet Sauvignon (0 a 10%).
No Pomerol a uva predominante é a Merlot (80 a 100%) combinada com a Cabernet Franc (0 a 20%) ou a Cabernet Sauvignon (0 a 10%).

Principais Variedades de Uvas Brancas

Os vinhos brancos são elaborados principalmente a partir das castas:
Sémillon (55%) contribui com finesse, untuosidade e cor dourada
Sauvignon Blanc (34%) traz acidez e complexidade aos vinhos
Muscadelle (7%) aromática, traz notas florais, acidez baixa e maciez aos vinhos
Podem entrar em mínimas porções Ugni Blanc, Merlot Blanc, Colombard e Ondenc, essas uvas correspondem a apenas 4% dos vinhedos de brancas.

As 5 classificações de Bordeaux

Ao longo do tempo, a diversidade dos vinhos de Bordeaux levou à criação de classificações, que valorizaram os vinhos e suas localizações de origem, elevando a percepção da qualidade e facilitando a compreensão da sua complexidade.

A classificação de 1855

Por ocasião da Exposição Universal de 1855 em Paris, Napoleão 3º solicita às regiões vinícolas de estabelecer uma classificação. A Cãmara de Comércio de Bordeaux inicia uma classificação para a Gironde, baseada na notoriedade e nos preços dos crus.

Nessa classificação figuram apenas os tintos do Médoc, os brancos licorosos de sauternes e Barsac e um cru tinto de Graves.

A classificação de Graves

Por solicitação do Sindicato de defesa da apelação Graves, o INAO efetua a classificação em 1953, separando por localidade e tipo dos vinhos, em apenas um nível hierárquico.

A classificação de Saint-Émilion

Por solicitação do Sindicato de defesa da apelação Saint-Émilion, o INAO efetua em 1954 uma classificação dos crus da apelação, decretando que ela se renove a cada 10 anos.

A última classificação, publicada em 2012, estabeleceu novos procedimentos.

A classificação dos Crus Bourgeois du Médoc

Expressão consagrada desde a Idade Média, quando os burgueses de Bordeaux adquirem as melhores terras e ganham essa denominação.

Em 1932 são listados pelos avaliadores (courtiers), com supervisão da Câmara de Comércio, tomando os critérios de qualidade e valor dos tintos produzidos nas 8 apelações do Médoc - Médoc, Haut-Médoc, Listrac, Moulis, Margaux, Saint-Julien, Pauillac e Saint-Estèphe.

A lista é reavaliada anualmente, a partir de 2010.

A classificação dos Crus Artisans

A denominação Cru Artisan existe há 150 anos, são pequenas propriedades pertencentes a artesãos.

Foi retomada em 1989 com a criação do Sindicato dos Crus Atisans do Médoc, definidos como propriedades autõnomas de pequeno é medio porte, onde o proprietário participa efetivamente da condução do seu vinhedo, produz os vinhos na Apelação e comercializa sua produção de vinhos, engarrafados no Château.

Os critérios são de qualidade e valor dos vinhos produzidos em pequenas propriedades - até 5 hectares - em uma das 8 AOC do Médoc.

Em 1994 a regulamentação européia reconhece essa denominação Cru Artisan e autoriza sua utilização na etiqueta principal do vinho.

História

A trajetória histórica de Bordeaux começa em 1152, com o casamento de Aliénor de Aquitaine com Henri Plantagenêt, futuro rei da Inglaterra, que estabelece um monopólio de produção, venda e distribuição para a Grã-Bretanha, dos tintos então chamados de Clarets.

Os vinhedos se ampliam em Fronsac, Saint-Émilion, Cadillac, Barsac, Langon.

Guerra de Cem Anos

Durante a Guerra de Cem Anos, entre França e Inglaterra, o comércio é suspenso, retomando somente em 1453, quando a Aquitânia é devolvida à França, mas o comércio não é totalmente retomado.

Comércio na Europa

Apenas no século 17 os novos clientes holandeses impulsionam a produção de vinhos de alta qualidade como o O-Bryan (depois, Haut-Brion). Nessa época surge a esterização de barricas com gás de enxofre, que melhora a conservação durante as viagens.

Além dos Clarets, Também ganham mercado os brancos secos e doces, destinados à destilação.

O Crescimento

Na época colonial, Bordeaux cresce suas exportações para Santo-Domingo e Antilhas, e na Inglaterra surge a moda de vinhos finos de guarda entre a alta sociedade Britânica.

Thomas Jefferson, grande conhecedor e apreciador de vinhos que se tornaria presidente dos Estados Unidos, visita a região em 1787, fazendo amplas anotações sobre sub-regiões e produtos, e seus comentários disparam o início de uma classificação de vinhos estabelecida pelos avaliadores (courtiers) e negociantes.

As primeiras garrafas arrolhadas e etiquetadas aparecem para começar a substituir as barricas.

A Classificação de 1855

Às portas do século 19, a produção duplica, as exportações triplicam e os ingleses voltam a ser importantes compradores. A qualidade se desenvolve com a Classificação de 1855 ordenada por Napoleão para a Exposição Universal.

A praga do oídio ataca os vinhedos a partir de 1851, surgindo as pulverizações com enxofre.

A partir de 1875 surge a temível Phylloxera, que arruina todos os vinhedos, que precisam ser arrancados e surge a solução do porta-enxerto com raízes de plantas americanas.

O parasita mídio ataca logo após a Phylloxera, surgindo a famosa `calda Bordalesa´, uma mistura de cal e sulfato de cobre.

Em 1936 é criado o INAO (Institut National des Appellations d’Origine), visando uma melhoria da qualidade, e em 1952 as confrarias se reunem no Grande Conselho do Vinho de Bordeaux.

Mais informações no site:

Internet www.bordeaux.com
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Créditos

CIVB - Comitê Interprofissional dos Vinhos de Bordeaux

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